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quarta-feira, 24 de abril de 2013

portas entreabertas



Minha irmã diz que o câncer foi um tsunami nas nossas vidas, o que ele não levou o terremoto arrastou as sobras. E é verdade, depois de um tempo passamos a contar os ganhos e o que se dá para restaurar. Minha vida mudou completamente, no mês passado sai da casa onde morei por doze anos, e foi uma boa mudança, explico: desorientada e ainda muito dolorida pós-cirurgia resolvi me refugiar na casa da minha mãe hahahahahaha,na cidade de Lins, lá posso sossegar, pensar e deixar as coisas irem fluindo. Estava muito sozinha numa casa grande e trabalhosa, algumas pendências do divórcio podem vir a se resolver finalmente e eu acabei ficando perto da minha família,minha irmã Márcia,meu irmão Rodrigo pais .tios. meu vôzinho e primos, só fico sozinha se eu quiser.

Me perguntam sempre o que eu vou fazer, onde vou decidir morar, e eu sempre digo que não sei, hoje estou aqui, amanhã não sei, deixa as coisas irem. Hoje estou em Campinas, para as consultas, o CA 125, que mede o tumor no sangue estava um tantinho alterado, fiquei um tantão ansiosa.

É foda isso, quando você começa a se apaixonar pela vida, pelos cabelos, emagrece ( que delícia) vem uma porrada, ai eu já vou me desligando de novo, desapegando, só que isso é muito ruim, morre não morre hahahahaha. Mas é assim mesmo que vai ser sempre, um olho aberto, outro fechado, um pé na frente, outro atrás, para mim funciona bem, não tão apegada, nem tão desapegada e vamos indo.

Exames para junho para verificar a possibilidade de novos tumores e ai sim a decisão sobre novo tratamento.É isso, um olho no gato, outro no peixe.
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