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sexta-feira, 15 de junho de 2012

O amanhã colorido.

Ficamos com nossos corações em frangalhos,primeiro vivemos uma expectativa angustiante de saber que existem vários nódulos no meu pulmão que não são uma recidiva da doença só que tem que acompanhar,junto a tudo isso volta os nódulos da minha irmã,reais,confirmados.E os nó- dulos da nossa cabeça?Do nosso coração?Estes estão invisíveis a qualquer aparelho.Vocês tem noção do eu Márcia sinto quando olho no espelho?Vejo uma mulher que não é mais aquela antes da doença que não é a que planejei e nem sou aquilo que esperava ser.Olho para mim mesma e tornei-me uma estranha, quero ser solidaria a minha irmã e não basta ficar doente ou ter que fazer quimio ou ficar careca,tatuar o nome dela na minha pele,não é essa solidariedade que quero.
É preciso maissó que estou congelada,não consigo ser eu mesma porque me perdi no meio disso tudo,ainda não me encontrei para saber quem sou,e o que serei.Quando pensei que havia encontrado alguém porque lutar essa pessoa foi me tirada,não serei mais avó infelizmente minha filha perdeu o bebê, e não vou saber o que são os diminutos nódulos no meu pulmão porque tenho que esperar e acompanhar, sabe o que isso significa?Que vou ficar pendurada por um fio de novo sem saber até quando, e por mais otimista que eu seja ainda tenho que lidar com os efeitos malditos do tamoxifeno.
E acordar mais um dia e pensar o que aconteceu mesmo comigo?Por que não consigo mexer meu braço com leveza?E por que sinto está dorzinha incomoda no peito?E aquela história de guerreira? E minhas convicções sobre que não existe combate ao câncer,não dá para saber se está no inicio ou não porque câncer grande ou pequeno é maligno do mesmo jeito.
Eu ainda não sei quem sou e isso está acima de uma busca por uma nova identidade.Márcia

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